Quando filhos viram conteúdo

Aquela foto fofa do aniversário, o vídeo engraçado no parquinho, a rotina escolar nos stories. Tudo isso parece inofensivo, mas o sharenting vai muito além de registros afetivos. Estamos falando de exposição massiva, criação de uma identidade digital sem consentimento e, em muitos casos, de lucro direto com a imagem de crianças.

O cenário se complica quando influenciadores transformam seus filhos em produtos. Cada post, parceria ou clique vira parte de uma engrenagem comercial, onde a criança se torna conteúdo e a linha entre afeto e exploração simplesmente desaparece. Não por acaso, cresce o entendimento de que essa prática deveria ser tratada como trabalho infantil, já que pais lucram enquanto os filhos vivem com consequências que podem durar anos, como privacidade violada, dados expostos e impactos emocionais que só aparecem mais tarde.

Um caso recente na Vara de Família de Rio Branco (AC) reforça esse alerta. A juíza proibiu os pais de superexpor o filho nas redes sociais, destacando que a proteção da criança deve prevalecer sobre qualquer interesse dos adultos, inclusive o de manter presença online. A decisão sinaliza um movimento jurídico importante sobre os limites da exposição digital na infância.

O documentário “The Dangers of Sharenting” aprofunda esse debate e mostra como a exposição precoce pode afetar autonomia, segurança e o futuro dessas crianças. O documentário traz ainda elatos que incomodam e e nos fazem pensar…

Até onde vai o direito dos pais de decidir pela exposição dos filhos?

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