
Promover a conscientização em privacidade é, talvez, uma das tarefas mais complexas do Encarregado de Dados.
Não se trata apenas de cumprir o art. 50 da LGPD. Trata-se de mudar comportamentos, construir cultura, influenciar decisões e transformar a privacidade em um valor organizacional.
No dia a dia, vejo muitas organizações enfrentando uma batalha silenciosa para que seus colaboradores realmente se importem com o tema. E não é por má-fé ou negligência. É um conjunto de fatores:
- A privacidade opera em um território pouco visível - enquanto outras iniciativas entregam resultados tangíveis e imediatos, o sucesso em privacidade costuma se manifestar justamente pela ausência de problemas.
- Treinamentos genéricos, longos e técnicos demais - reforçam a percepção de que privacidade é burocracia, e não algo ligado ao trabalho de cada área.
- Recursos limitados - equipes reduzidas e orçamentos apertados exigem criatividade e estratégia para manter o engajamento.
Foi sobre esses desafios, e principalmente sobre como superá-los, que escrevi o artigo “A difícil missão de conscientizar a organização em privacidade e proteção de dados”, publicado na obra coletiva “Encarregados: desafios, experiências e perspectivas”, coordenada por Ana Paula Canto de Lima e editada pela Editora Império.
No texto, compartilho estratégias práticas, como personalização por área de negócio, programas de Privacy Champions, conteúdo visual e interativo e campanhas temáticas, além de uma reflexão sobre o que as telas de pedidos do McDonald’s têm a ensinar sobre conformidade “de fachada”. 🍔
O Encarregado não é só um agente técnico ou jurídico. É um agente de mudança cultural. O objetivo é que a privacidade seja praticada porque faz sentido, e não porque é fiscalizada.
Tenho muito orgulho de dividir estas páginas com tantos profissionais que admiro.
📘 O livro está disponível no site da Editora Império.