Edição 021 da newsletter Privacy Rocks, publicada originalmente no LinkedIn em 15/09/2025.

Privacidade no WhatsApp: uma atualização que passou quase despercebida

Recentemente, o WhatsApp começou a liberar silenciosamente um novo recurso chamado “Privacidade Avançada da Conversa”. A proposta é proteger ainda mais as mensagens individuais e em grupo, mas o curioso é a forma como isso foi implementado: sem alarde, sem notificação clara para os usuários e, mais importante, com o recurso desativado por padrão.

À primeira vista, é uma simples configuração. Mas, com a inteligência artificial cada vez mais presente nos bastidores dos aplicativos, deixar conversas desprotegidas amplia o risco de exposição e uso indevido de informações pessoais.

Se você é administrador de um grupo ou valoriza a proteção das suas conversas, vale a pena verificar se a funcionalidade está ativa. O processo é simples:

  1. Abra a conversa (individual ou em grupo)

  2. Toque no nome no topo da tela

  3. Role até encontrar a opção Privacidade Avançada da Conversa

  4. Ative o recurso

Nem sempre as big techs facilitam para entendermos essas mudanças. Por isso é importante ficar atento e compartilhar informação confiável sobre proteção de dados.

Golpe silencioso com IA

Você atende uma ligação. Do outro lado, apenas silêncio.

Parece inofensivo, mas pode ser o primeiro passo de uma fraude sofisticada.

Criminosos utilizam esses segundos de ligação para capturar sua voz e, com ferramentas de inteligência artificial, conseguem reproduzi-la com fidelidade impressionante. A partir daí, podem se passar por você em pedidos de transferência de dinheiro, mensagens a familiares ou até contatos de trabalho.

O risco não está apenas no prejuízo financeiro, mas no uso indevido de um dado extremamente sensível: a sua própria voz. Quando explorada de forma indevida, pode comprometer sua identidade digital, abrir brechas para golpes em diferentes canais e até ser reutilizada em fraudes de autenticação que dependem de reconhecimento por voz.

Vivemos um momento em que dados pessoais são coletados e manipulados de formas cada vez mais sofisticadas e o “golpe silencioso” mostra como pequenas interações, como atender uma ligação, podem se transformar em grandes riscos quando combinadas ao avanço da tecnologia e ao uso malicioso da inteligência artificial.

Como se proteger:

  • Desconfie de chamadas mudas;

  • Não diga “sim” de imediato;

  • Bloqueie e denuncie números suspeitos;

  • Nunca compartilhe dados pessoais em ligações não solicitadas;

  • Combine palavras de segurança com familiares;

  • Confirme pedidos de ajuda por outro canal (vídeo, mensagem, pessoalmente).

Conscientizar-se sobre esse tipo de ameaça é essencial! Estar atento a detalhes e desconfiar de contatos inesperados podem fazer diferença para evitar que sua própria voz seja transformada em uma arma contra você.

O que acontece com os dados pessoais antes da anonimização?

Um ponto que muitas vezes passa despercebido quando falamos de privacidade e proteção de dados: o que acontece com os dados antes da anonimização?

Muitos acreditam que basta anonimizar depois e o problema está resolvido. Mas não é bem assim!

Até que os dados sejam efetivamente anonimizados, eles continuam sendo considerados dados pessoais e, portanto, sujeitos à LGPD.

Isso significa que o controlador precisa aplicar uma base legal (art. 7º ou 11 da LGPD) para a coleta e qualquer tratamento inicial antes da anonimização.

A própria ANPD reforça isso em seu “estudo técnico sobre anonimização de dados na LGPD: análise jurídica”.

  • O ato inicial do processo de anonimização é tratamento de dado pessoal, logo, exige base legal.

  • A anonimização, por si só, não legitima um tratamento irregular. Se a coleta foi feita sem fundamento, a posterior anonimização não “conserta” a irregularidade.

  • A anonimização deve ser vista como um processo contínuo, iniciado sobre dados pessoais identificáveis, e enquanto não concluído, o risco de reidentificação mantém a aplicação integral da LGPD.

Portanto, sempre que houver coleta para posterior anonimização, é obrigatório aplicar uma base legal.

💡 E você, já se deparou com situações em que a coleta foi feita sem pensar nesse detalhe?