Edição 022 da newsletter Privacy Rocks, publicada originalmente no LinkedIn em 29/09/2025.
QR Codes e coleta silenciosa de dados
Os QR Codes deixaram de ser novidade e hoje estão por toda parte: em cardápios, anúncios, eventos e até mesmo em processos internos das empresas. A promessa é sempre de praticidade e economia, mas nem sempre o que está por trás desse quadrado em preto e branco é tão simples assim.
Ao escanear um QR Code, o usuário pode ser redirecionado para links maliciosos que instalam softwares indesejados, mas o risco não para aí. Muitos geradores de QR funcionam como plataformas de coleta de dados. Em segundos, conseguem registrar informações como endereço IP, localização, carimbo de data e hora e até detalhes sobre o dispositivo utilizado. Tudo isso sem que o usuário perceba e, em muitos casos, sem que a própria empresa que contratou o serviço saiba exatamente como esses dados são tratados.
Esse cenário traz implicações diretas para segurança e privacidade. Do ponto de vista legal, a responsabilidade pelo tratamento de dados recai também sobre a empresa que utiliza o recurso. Além disso, há impactos de reputação quando o cliente descobre que o simples ato de abrir um cardápio digital pode significar a entrega de seus dados para terceiros.
Adotar QR Codes não é um problema em si, mas exige avaliação criteriosa dos provedores e atenção a práticas de privacidade. Em alguns casos, optar por soluções estáticas, que apenas direcionam para um link sem rastreamento, pode ser o caminho mais seguro.
STJ reconhece dano moral presumido em vazamento de dados
A 3ª Turma do STJ decidiu, por maioria, que o vazamento de dados pessoais pode gerar indenização por dano moral mesmo sem prova de prejuízo concreto (REsp 2.201.694/SP, 05/08/2025). O entendimento é que o dano é presumido diante da “forte sensação de insegurança” causada ao titular.
Essa mudança impacta diretamente o mercado de crédito. Gestores de bancos de dados passam a enfrentar riscos maiores de responsabilização, somados à inversão do ônus da prova. O compartilhamento de dados fica limitado: score de crédito pode circular sem consentimento, histórico de crédito depende de autorização específica e dados cadastrais só podem ser trocados entre birôs.
Embora a decisão busque proteger titulares, pode gerar efeitos colaterais: aumento das taxas de juros, redução da oferta de crédito e maior concentração em grandes instituições. A presunção de dano também pode incentivar litígios frágeis, sobrecarregando o Judiciário.
O caso expõe a falta de consenso dentro do próprio STJ e aponta para um cenário de insegurança jurídica.
Privacidade e bloqueadores de anúncio
No dia a dia, a maioria das páginas que acessamos na internet carrega muito mais do que o conteúdo que buscamos. Junto com o texto e as imagens vêm anúncios, scripts de rastreamento e cookies que alimentam um ecossistema silencioso de coleta de dados.
É aí que entra o uBlock Origin, uma extensão gratuita e de código aberto disponível para navegadores como Chrome, Firefox, Edge, Brave e Safari. Mais do que bloquear anúncios, ele impede que scripts de rastreamento sejam carregados, reduzindo a exposição de informações pessoais e tornando a navegação mais rápida e limpa.
Esse post não é propaganda. Eu mesmo utilizo o uBlock Origin nos meus dispositivos pessoais e recomendo por experiência própria. Para quem se preocupa com privacidade, é uma medida prática que reforça a proteção, reduz riscos de anúncios maliciosos e ainda economiza dados e processamento.
Links:
Esse é o site original da extensão do navegador: https://ublockorigin.com/
Para quem tem iPhone e usa o Safari, existe uma extensão para o navegador mobile: https://apps.apple.com/br/app/ublock-origin-lite/id6745342698?l=en-GB
ANPD se torna autarquia
A proteção de dados no Brasil dá um passo importante. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) deixa de estar vinculada à Presidência da República e passa a ser uma autarquia de natureza especial: a Agência Nacional de Proteção de Dados, agora com autonomia administrativa, técnica e financeira.
Com a mudança a previsibilidade regulatória e segurança jurídica aumentam, mas a régua de conformidade também sobe. Um órgão mais robusto e independente tende a exigir para as empresas maior maturidade na forma como dados pessoais são tratados e protegidos.
Medida Provisória 1317/2025: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2025/Mpv/mpv1317.htm
Gerenciadores de senhas
Ainda é comum ver pessoas usando a mesma senha em todos os serviços ou, pior, guardando senhas em bloco de notas, documentos do Word ou planilhas. Sem falar naquelas clássicas combinações como 123mudar, 12345 ou o nome do pet. Nada disso é seguro.
Como eu faço? Uso um gerenciador de senhas, no meu caso o 1Password, mas há ótimas opções no mercado, como Bitwarden, ProtonPass, NordPass, Keepass e Dashlane. Uma dica: fujam do LastPass, ele já sofreu nos últimos anos vários incidentes de segurança graves. Todas as minhas credenciais ficam em um cofre criptografado. Cada serviço tem uma senha única e robusta, com pelo menos 14 caracteres, incluindo letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos.
E não, eu não preciso ficar inventando ou decorando senhas complexas. O próprio gerenciador gera automaticamente combinações seguras, como por exemplo: Vey_tx6Nxu8q@o. Assim, minha única preocupação é lembrar da senha mestre, que dá acesso ao cofre. Essa prática me garante mais segurança e tranquilidade.**
E você, já utiliza algum gerenciador de senhas?
Resultado da enquete que eu realizei na minha rede de contatos
Ranking de Privacidade de Mídia Social 2025
Você já parou para pensar em quanto os aplicativos de redes sociais realmente protegem a sua privacidade?
A Incogni publicou um estudo recente avaliando diversas plataformas sociais em 2025, trazendo um ranking que compara quais delas coletam mais ou menos dados pessoais e como lidam com a privacidade dos usuários.
Um dado curioso, ou talvez preocupante, é que apenas três plataformas asseguram que os dados dos usuários não serão utilizados para treinar modelos de IA. As demais permitem que nossos conteúdos sejam aproveitados para o desenvolvimento de inteligência artificial.
Para quem trabalha com privacidade ou simplesmente se preocupa com o uso das suas informações, esse tipo de análise ajuda a entender melhor os riscos e a repensar quais plataformas merecem nossa confiança.
Link do estudo: https://blog.incogni.com/social-media-privacy-2025/