Edição 027 da newsletter Privacy Rocks, publicada originalmente no LinkedIn em 08/12/2025.
🎉 1000 inscritos na Privacy Rocks! 🚀
Chegar a 1.000 inscritos na Privacy Rocks é um marco que merece ser celebrado. Quando comecei a newsletter, a ideia era compartilhar conteúdos práticos sobre privacidade, proteção de dados e IA de um jeito direto, útil e possível de aplicar no dia a dia.
Hoje, celebro uma marca especial: 26 edições publicadas e 1000 pessoas que acompanham os conteúdos, análises, reflexões e dicas práticas para quem quer fortalecer sua própria segurança e privacidade no dia a dia.
Agradeço a cada pessoa que acompanha a newsletter e dedica um tempo para estar ali comigo, edição após edição.
IA como produto e IA como serviço
A discussão sobre classificar a Inteligência Artificial como produto ou serviço vem ganhando espaço na Europa. Esse tema já influencia diretamente a estrutura regulatória, mas o reflexo chega também ao Brasil, mesmo sem um marco específico como o AI Act. Aqui, a LGPD, o Código de Defesa do Consumidor e as normas setoriais ajudam a construir as primeiras interpretações, que se tornam essenciais à medida que a IA passa a compor processos críticos em setores como saúde, varejo, finanças e gestão pública.
No campo conceitual, a discussão sobre IA como produto ou serviço se torna mais clara quando observamos como essas tecnologias são entregues e operadas. Em muitos casos, a IA chega ao mercado como um produto, algo fechado e padronizado, semelhante a um software tradicional. Exemplos incluem um modelo de visão computacional embarcado em uma câmera de segurança, um app que usa IA para reconhecer documentos ou um assistente digital integrado a um smartphone. Aqui, o desempenho é relativamente previsível e a responsabilidade tende a recair sobre quem desenvolve e disponibiliza o sistema.
Em outros contextos, a IA funciona como serviço. O valor não está apenas no modelo, mas no trabalho contínuo de quem treina, ajusta, integra, monitora e interpreta os resultados. Plataformas de IA generativa usadas para criar conteúdos sob demanda, soluções de detecção de fraude ajustadas para cada cliente, ou modelos que dependem de dados e pipelines específicos são bons exemplos. Nessas situações, a qualidade depende da execução técnica e da experiência profissional, o que aproxima a responsabilidade de um regime típico de prestação de serviços.
A fronteira entre produto e serviço é cada vez mais tênue, e muitos modelos operam de forma híbrida. Entender essa distinção ajuda empresas a definir obrigações, estabelecer controles e reduzir riscos em todo o ciclo de vida da IA.
Shareting: Quando a infância vira conteúdo
Aquela foto fofa do aniversário, o vídeo engraçado no parquinho, a rotina escolar nos stories. Tudo isso parece inofensivo, mas o sharenting vai muito além de registros afetivos. Estamos falando de exposição massiva, criação de uma identidade digital sem consentimento e, em muitos casos, de lucro direto com a imagem de crianças.
O cenário se complica quando influenciadores transformam seus filhos em produtos. Cada post, parceria ou clique vira parte de uma engrenagem comercial, onde a criança se torna conteúdo e a linha entre afeto e exploração simplesmente desaparece. Não por acaso, cresce o entendimento de que essa prática deveria ser tratada como trabalho infantil, já que pais lucram enquanto os filhos vivem com consequências que podem durar anos, como privacidade violada, dados expostos e impactos emocionais que só aparecem mais tarde.
Um caso recente na Vara de Família de Rio Branco (AC) reforça esse alerta. A juíza proibiu os pais de superexpor o filho nas redes sociais, destacando que a proteção da criança deve prevalecer sobre qualquer interesse dos adultos, inclusive o de manter presença online. A decisão sinaliza um movimento jurídico importante sobre os limites da exposição digital na infância.
O documentário “The Dangers of Sharenting" aprofunda esse debate e mostra como a exposição precoce pode afetar autonomia, segurança e o futuro dessas crianças. O documentário traz ainda elatos que incomodam e e nos fazem pensar…
Até onde vai o direito dos pais de decidir pela exposição dos filhos?
Quando o telefone toca mais do que deveria.
Nos últimos dois dias, meu celular virou praticamente um call center. Mais de quinze ligações em intervalos de uma hora. Em algumas, ninguém falava nada. Em outras, parecia claramente tentativa de golpe financeiro. A sensação é de invasão constante.
Já falei por aqui sobre essas chamadas silenciosas e dei algumas dicas, mas a verdade é que controlar esse tipo de ligação beira o impossível. Os números mudam, as origens são mascaradas e, no final, quem acaba desgastado é sempre o usuário.
Recentemente, ouvi uma dica curiosa: usar duas linhas. Uma só para contatos reais e outra apenas para cadastros, que seria totalmente ignorada e teria bloqueios automáticos. Fiquei pensando se isso funciona na prática.
Se alguém já usa essa estratégia, queria ouvir a experiência. E se você tiver alguma dica que realmente ajude a lidar com esse problema, compartilhe nos comentários. Isso pode ajudar muita gente.